Aspectos Gerais:
Data de Fundação: 3 de dezembro de 1805.
Fundados: Hipólito Antônio Pinheiro (1754-1840).
Doadores do Patrimônio: Irmãos Antunes de Almeida.
Distrito: (Freguesia) 29 de agosto de 1805, provisão do Bispo Diocesano de São Paulo,
Dom Mateus de Abreu Pereira.
Município (Vila): 28 de novembro de 1824, na presença do Doutor/Ouvidor Geral Corregedor
da Comarca de Itu, Antônio D'Almeida e Silva Freire da Fonseca, em conformidade
com a portaria do Presidente da Província de São Paulo, Lucas Antônio Monteiro de
Barros.
Instalação do Município: 30 de novembro de 1824 (posse dos primeiros vereadores).
Aniversário de Franca: 28 de Novembro. Comemora a criação do Município, portanto
a emancipação político-administrativo. Santo Padroeiro: Nossa Senhora da Conceição.
Origem e Significado do Nome "FRANCA": Homenagem ao criador do Distrito, Governador
da Capitania de São Paulo, Antônio José da Franca e Horta.
Denominação do Elemento Nascido no Município: Francano.
Como tudo começou:
A região compreendida entre os rios Pardo e Grande, embora desbravada no século
XVI, foi povoada somente a partir das descobertas das minas de Goiás por Ananhaguera
II no início do século XVIII. Com a abertura das estradas de Goiás em 1722 e do
Desemboque algumas décadas após, foram se formando vários pousos que se constituíram
nos primeiros núcleos povoadores desta região.
Um pequeno fluxo populacional das últimas décadas do século XVIII permite a formação
do povoado disperso, que ficou conhecido como Bairro das Canoas, abrangendo os pousos:
das Covas, Alto e Alegre, além de outras paragens.
Covas foi pouso eminente de comerciantes e transportadores de sal, além de servir
de arraial temporário da região. Em função do crescente número de moradores dispersos,
foi ali criada uma Companhia de Ordenanças e nomeado Capitão, a pessoa de Manoel
Almeida em 1791. Pertencia a freguesia de Caconde e Município de Moji Mirim.
Crescimento Populacional:
No início do século XIX, a região recebe um fluxo populacional de grandes proporções.
São os mineiros que vêm das Gerais, principalmente do Sul de Minas e os goianos
do Sertão da Farinha Podre (futuro Triângulo Mineiro). Vinham criar o gado e plantar
suas lavouras. Explica-se este fluxo pela decadência da mineração de Minas Gerais,
esgotando o ouro de aluvião dos córregos, os habitantes daquela Capitania procuravam
uma outra atividade, que estava ligada à terra.
Hipólito Antônio Pinheiro, mineiro de Caconde, substitui o posto vago de Capitão
de Ordenanças do "Belo Sertão do Rio Pardo" em agosto de 1804, ocasião em que são
dados os primeiros atos efetivos da fundação do povoado.
Em 29 de agosto de 1805, foi criada a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da
Franca e do Rio Pardo, simplificada para Franca, em homenagem ao Governador da Capitania,
Antônio José da Franca e Horta.
O arraial foi assentado em uma colina entre dois córregos: Bagres e Cubatão, em
terrenos da Fazenda Santa Bárbara, doadas para este fim em 03 de dezembro de 1805,
por Antônio Antunes de Almeida e seu irmão Vicente Ferreira Antunes de Almeida e
esposa Maria Francisca Barbosa. Nesta ocasião foi ereta uma Capela - Interina sob
a direção de Manoel Marques de Carvalho e celebrada a primeira missa pelo Padre
Joaquim Martins Rodrigues. Essa Capela situada no local do atual edifício da Cúria
Diocesana, que foi depois denominada de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
A Igreja Matriz, iniciada em 1809, foi construída na Praça principal, onde hoje
está a Fonte Luminosa.
Primeiros passos de uma cidade:
Franca passa a ter propriamente seu núcleo urbano em forma de tabuleiro de xadrez.
Em torno da Igreja, constroem-se as casas, que só receberiam os seus moradores nos
domingos e feriados. Era um mundo rural, era nas fazendas, lidando com o gado ou
cuidando das plantações, que a população vivia a maior parte do tempo. Em 1818 o
viajante Luiz de D'Alincourt, observou que o arraial estava bem arruado, com ruas
pouco povoadas, a exceção do Largo da Matriz que estava "mais guarnecido de casas,
que são construídas de pau a prumo, com travessões e ripas, cheios de vãos de barro
e as paredes rebocadas com areia fina", geralmente pequenas e cobertas de palha.
Outro viajante Auguste de Saint Hilaire em 1819 lembra que: "O arraial de Franca,
onde parei, fica situado num aprazível descampado, em meio a extensas pastagens
alpicadas de tufos de árvores e cortadas por vales pouco profundos. O arraial ocupa
o centro de um largo e arredondado, sendo banhado dos dois lados por um córrego.
Não havia ali, à época de minha viagem, mais do que umas cinqüenta casas, mas já
tinha sido demarcado o local para a construção de várias outras. Era fácil ver que
Franca não tardaria a adquirir grande importância".
Em 1821, Dom João VI cria a Vila Franca Del Rei. Contudo a mesma não será instalada
em virtude das ambições da Vila São Carlos de Jacui que desejava anexar essa região
à Minas Gerais. Somente em 28 de novembro de 1824 é que a Freguesia de Franca se
emancipa de Moji Mirim, sob a denominação de Vila Franca do Imperador. Instalada
no dia seguinte pelo Ouvidor Freire (Antônio D'Almeida e Silva Freire da Fonseca)
da Comarca de Itu é demarcado o rocio e denominados seus primeiros logradouros:
Largos da Alegria (atual Nossa Senhora da Conceição) e da Aclamação (atual Barão
da Franca) e ruas; do Comércio, da Primavera (atual Voluntários da Franca), do Adro
(atual Monsenhor Rosa), Nova (atual Major Claudiano) e do Ouvidor.
"Anselmada":
Em 1838, Franca foi teatro de revolta, por parte do Capitão Anselmo Ferreira de
Barcellos, daí o célebre episódio denominado "Anselmada". Cometeram-se terríveis
barbaridades, muitas pessoas de bem fugiram e o crime saiu vitorioso. A sedição
foi sufocada e foi então que Franca passou a ser sede de uma Comarca e possuir um
Juiz de Direito, pela lei provincial nº 7, de 14 de março de 1839. Em primeiro de
março de 1842 é criado o Distrito Policial.
Pela lei provincial nº 21, de 24 de abril de 1856, é elevada a categoria de cidade,
mas esse não passa de um título honorífico, pois é com a criação da vila que o arraial
adquiriu autonomia. A denominação de Franca do Imperador foi simplificada para Franca,
em virtude de decisão da Câmara Municipal local, em sessão de 30 de dezembro de
1889.
Consta atualmente de dois subdistritos: 1º Sede datado de 1805 e o 2º da Estação,
criado pelo decreto nº 6.544, de 10 de julho de 1934. O bairro da Estação, antigo
Alto da Boa Vista, surgiu a partir da implantação da Companhia Mogiana de Estradas
de Ferro, (depois Ferrovias Paulistas S/A - FEPASA), inaugurada em 05 de abril de
1887.
O Aniversário de Franca é comemorado em 28 de Novembro.